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domingo, 19 de julho de 2015

GIDEONI MONTEIRO FAZENDO HISTÓRIA NO CICLISMO INTERNACIONAL


Na sexta passada, dia 17 de julho de 2015, no Pan-Americano de Toronto, Canadá, o jovem groairense Gideoni Monteiro fez história para o Brasil ao conquistar heroica medalha de bronze para o ciclismo na prova Omnium masculino, a prova mais complexa do programa, uma vez que o atleta testa sua versatilidade e resistência em seis tipos de corrida (Scratch, Perseguição Individual, Eliminação, 1km Contrarrelógio, Flying Lap e Prova Por Pontos).
Apesar da grandiosidade do feito, talvez pela pouca tradição do esporte aqui no Brasil, a imprensa não deu o crédito merecido. Deveria! Analisando superficialmente, mesmo sem conhecer a fundo a modalidade, facilmente chegamos a conclusão que estes meninos do ciclismo que estão trazendo medalha para o Brasil são "filhos da superação", seja pela sua história pessoal, seja pela forma como o esporte é tratado aqui no Brasil.
Vejamos o caso do Giodeoni Monteiro. Ele nasceu em Groaíras-CE, filho de José Lusmar Monteiro (Zezinho Monteiro) e Maria Aparecida Moneteiro. Seus irmãos são Rafael Rodrigues Monteiro, Ana Sara Rodrigues Monteiro, Lia Rodrigues Monteiro. Nosso atleta foi o último dos quatro filhos do casal.
Zezinho Monteiro, pai de Gideoni, era operário da construção civil (pedreiro) e, a convite da Dra. Maria das Graças Monteiro, sua irmã e na época presidente do TST de Sergipe, fixou residência em Aracajú para laborar na construção civil. Na terra que lhe acolheu Gideoni começou as suas primeira pedaladas no trajeto de casa para a escola. Aos poucos o menino foi tomando gosto pelo esporte até participar das suas primeiras competições sem dispor dos equipamentos adequados. Seu tio, Roberto Monteiro, empresário do ramo de bicicletas em Aracaju, foi um dos seus primeiros incentivadores. O pai, José Lusmar, era um entusiasta e sempre acompanhava o filho nas suas investidas no esporte, mesmo que nem sempre estivesse por perto. Não demorou e o menino alçou voos maiores. Gideoni foi morar na Europa e competir competir e treinar por lá.
Em 2012 voltou a fixar residência no Brasil e, em 11 de outubro de 2012, na Rodovia Abraão Assed, Ribeirão Preto, São Paulo, quando treinava em sua bicicleta, foi atropelado por um caminhão. A bicicleta quebrou em três partes e ele, graças a Deus, teve apenas algumas cicatrizes no rosto e uma fratura exposta no braço direito.
Após longa recuperação, Gideoni prestou concurso e hoje é 3º Sargento da Aeronáutica, sendo radicado em São Paulo. Apesar da estrutura de que já dispõe para treinar, esta ainda não ideal. Para se ter uma ideia, no Brasil não há se quer um velódromo nos moldes daquele que foi utilizado no Pan-Americano de Toronto. Lembremos: o velódromo mais moderno de que dispúnhamos era aquele construído para o Pan-Americano do Rio de Janeiro de 2007, o qual, seguindo a esdrúxula tradição das obras públicas executadas no Brasil, foi considerado inadequado e insuficiente para a disputa das Olimpíadas do Rio de Janeiro de 2016. Tal equipamento foi destruído ficando nossos atletas hoje medalhistas de bronze, sim, não esqueci os demais, sem uma estrutura semelhante aquela encontrada nas competições internacionais.
Infelizmente, em 03 de fevereiro de 2014, José Lusmar Monteiro (Zezinho Monteiro), então com 67 anos, e seu irmão Adalberto Monteiro Sousa, 64 anos, respectivamente pai e tio de Gideoni, vieram a óbito em acidente de trânsito na BR 222. Sem dúvida uma grande perca para a família Monteiro. O menino acostumado a grandes desafios, a se reinventar quando necessário, a renascer das cinzar como a mitológica "Fênix", transmudou dor em força, trabalho, persistência, disciplina, o que resultou na conquista do bronze do Pan-Americano de Toronto 2015, a primeira medalha brasileira naquela modalidade.
Importa lembrar que Gideoni foi medalha de ouro no Pan-Americano de Mar Del Plata, na Argentina em 2012. Na ocasião competia em outra modalidade, a perseguição individual.
Enfim, as conquistas da equipe de ciclismo do Pan de Toronto são motivo de muito orgulho para todos nós brasileiros e Gideoni é mais um dos nossos guerreiros materializadores do velho ditado: "querer é poder".
Encerro parafraseando uma passagem atribuída a Theodore Roosevelt: "É muito melhor arriscar coisas grandiosas, alcançar triunfos e glórias, mesmo expondo-se à derrota, do que formar fila com os pobres de espírito que nem gozam muito, nem sofrem muito, porque vivem nessa penumbra cinzenta que não conhece vitória nem derrota".
Dona Aparecida, Rafael, Sara e Lia, esta é minha homenagem a vocês e ao Gideone. Ele é e será o nosso campeão! Que seus feitos não sejam esquecidos e que sirvam de exemplo e inspiração para todos nós!
É Gideoni Monteiro do Brasillllllllllllll!!!!!!!!

Augusto Martins Melo


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Ciclista Gideone Monteiro sofre acidente em Ribeirão Preto. Disponível em: http://globoesporte.globo.com/outros-esportes/fotos/2012/10/fotos-ciclista-gideoni-monteiro-sofre-acidente-em-ribeirao-preto.html. Acessado em: 19/07/2015.

Ciclista Gideoni Monteiro conquista bronze na Omnium do Pan de Toronto. Disponível em: http://bike76.com/2015/07/18/ciclista-gideoni-monteiro-conquista-bronze-na-omnium-do-pan-de-toronto/. Acessado em: 19/07/2015.

Ciclista Gideoni Monteiro bate recorde brasileiro de perseguição individual e leva ouro no Pan. Disponível em: http://www.cbc.esp.br/default/noticias.php?m=pista&n=595. Acessado em:19/07/2015.

O Povo. Quatro pessoas morrem e três ficam feridas em acidente na BR 222. Disponível em: http://www.opovo.com.br/app/ceara/iraucuba/2014/02/03/notiraucuba,3200970/tres-pessoas-morrem-e-quatro-ficam-feridas-em-acidente-na-br-222.shtml. Acessado em: 19/07/2015.

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

MUDAR É PRECISO, VIVER NÃO É PRECISO!


COMO A POLÍTICA É INTERESSANTE! Em Groaíras, fui eleito o vereador mais votado no pleito de 2004. Apesar das frustrações, confesso que isso mexe com meus brios. De lá para cá, por opção, resolvi investir na minha formação pessoal, melhorar humana e profissionalmente. Fui estudar e sei que os frutos virão mais cedo ou mais tarde, desde que não abandone a persistência, exercite a paciência, cultive o hábito e que a coragem e a fé não me abandonem. Entretanto, apesar de optar, pois foi opção pessoal o fato de não mais se candidatar, por mais que tenha o desejo de tal, ainda hoje encontro inúmeros cidadãos que, ao dirigirem a palavra a minha pessoa, dizem: "Eu votei em você!". É cômico, mas o caso é sugestivo e permite inúmeras reflexões. Assim, entendo que uns são de fato meus amigos, outros nem tanto. Meu entendimento sobre estes últimos é pelo tom em que empregam ao externarem seu pensamento sobre tal. Parecerem me cobrar alguma coisa. Coisa esta que pode ser o voto não comprado, afinal, não tinha dinheiro para tal e ainda hoje não tenho. Dinheiro: ô negócio difícil! Como era bom ser criança e acreditar que do "pé-de-moedas" os frutos seriam, de fato, moedas. Era assim que eu pensava. Era criança e sonhava. Não sei se meu filho e outras crianças de hoje têm a mesma ingenuidade, afinal as coisas mudaram bastante e as liberdades são, hoje, também, libertinagens. Pois bem, voltemos às cobranças dos meus ex-supostos eleitores. Digo supostos porque não tenho como discordar de ninguém, afinal até hoje não entendo como consegui lograr quase 10% dos votos da cidade. Se vocês colocarem na "ponta do lápis", proporcionalmente é muita coisa. E, acreditem, "só com a cara e a coragem", coisa que não me atrevo mais pela capacidade de se revoltar com esse modelo político pernicioso prostituidor da cidadania. Tal conquista agradeço a minha família, meus amigos, meus ex-alunos e mesmo aos diversos que votaram em mim e até hoje não me cobraram. Saibam, me esforcei para não decepciná-los. Fui justo com seus votos em correlação com o meu discurso e o meu pensamento. Claro, é assim que penso e não tenho como influir na subjetividade de ninguém. O certo é que fui justo, pelo é assim que julgo minha atuação. Se foi uma "escolha pelo outro", o julgamento, se me competisse, seria injusto. Dado minha impossibilidade de fazê-lo, deixo a cargo do povo. Pensem o que quiserem, mas não percam jamais a oportunidade de refletir sobre qualquer coisa que seja. No meu caso, acredito que atuei com justeza de opiniões e de caráter. Talvez é por isso que nas minhas reflexões também me revolto com alguns dos eleitores que, passados 10 anos de minha ingênua candidatura, ainda fazem questão de "passar na minha cara" coisas do tipo antes informado. Só para lembrar: "Eu votei em você!". Se é para barganhar algo, informo que o esforço é infrutífero, afinal não tenho nada e o pouco que tenho socializo gratuitamente no meu esforço de contribuir a todo momento com essa cidade que tanto amo e amarei eternamente. Se é para chamar minha atenção de forma positiva, como se minha atuação tivesse deixado saudade, refugo o esforço. O lapso temporal não me permite viver dessas lembranças enquanto ainda tenho muito o que construir no plano pessoal, familiar, profissional e, quem sabe, político. O que expresso no momento é meu desejo de mudança. Eu preciso mudar para não me iludir, mudar para não iludir, mudar para crescer, mudar para, na minha singularidade e insignificância, continuar ajudando o próximo, desde que isso não me reduza à uma vida "franciscana". Aos que votaram em mim, só agradeço. O que tenho a aconselhar, ou melhor, a lhes dizer é: mudem sempre! Amem-se, cuidem-se de forma individual e coletiva! Assim, optando pelo olhar para si mesmo, poderão melhorar qualitativamente o todo quando das suas escolhas de presente e futuro. Aos que ficaram decepcionados com minha atuação, peço desculpas por não ter sido compreendido. Peço desculpas também pelo texto grande revelador do meu saudosismo, do amor pela minha terra e a minha frustração para com a política. Mas é isso! Exercitemos também nossa arte de perdoar, afinal, todos comentemos erros no caminho do que buscamos. Penso que estou melhorando e quero poder continuar assim. Desejo isso a todos vocês. Obrigado e abração bem grandão! Bom dia!

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

MUITAS HISTÓRIAS: ESTATUTÁRIO OU CELETISTA?

MUITAS HISTÓRIAS: ESTATUTÁRIO OU CELETISTA?

ESTATUTÁRIO OU CELETISTA?


Nos últimos dias o assunto em pauta em Groaíras é o Projeto de Lei enviado pelo Excelentíssimo Senhor Prefeito à Câmara Municipal, o qual institui o regime jurídico estatutário no âmbito da Administração Pública dessa cidade. A polêmica está instalada e um dos motivos é o fato de muitos servidores não entenderem exatamente do que se trata o referido projeto. Na contrapartida, não há esforço da Administração de suprir as lacunas que tanto dificultam o entendimento popular. No intuito de tentar contribuir com a discussão, me atrevi a desenvolver, de forma sintética, algumas considerações sobre o tema. Comecemos pela redação original do art. 39 da Constituição Federal, que segue: Art. 39. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios instituirão, no âmbito de sua competência, regime jurídico único e planos de carreira para os servidores da administração pública direta, das autarquias e das fundações públicas (grifo nosso). Estabelecer regime jurídico único, significava, com base na norma supracitada, que a União, Estados, Distrito Federal e Municípios poderão instituir, no âmbito de sua circunscrição, o seu regime jurídico, a forma como a Administração se relaciona com os seus agentes. Este pode ser contratual (celetista ou trabalhista) ou regime legal (estatutário). É uma questão de escolha: ou opta-se pelo celetista e aí tem-se um regime contratual em que se aplica as normas da CLT e o foro competente para dirimir os conflitos entre os servidores (empregados) e a Administração Pública (empregador) é a Justiça do Trabalho, ou opta-se pelo regime legal, em que se aplica a lei do estatuto dos servidores públicos (lei local) e o foro competente para dirimir os conflitos entre os servidores e a Administração Pública é a justiça comum estadual. Ocorre que a Emenda Constitucional 19/98 (Reforma do Judiciário) alterou a redação original do art. 39 da Constituição Federal do Brasil: Art. 39. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios instituirão conselho de política de administração e remuneração de pessoal, integrado por servidores designados pelos respectivos Poderes. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) (Vide ADIN nº 2.135-4) Em linguagem popular, a redação dada ao art. 39 pela EC 19/98 determina que cada ente político poderá ter tanto o regime estatutário como o celetista. No entanto, o Supremo Tribunal Federal – STF, decidiu em sede cautelar (Vide ADIN nº 2.135-4), que a nova redação do dispositivo normativo informado padeceu de inconstitucionalidade formal. Na verde ele foi rejeitado pelo Congresso e, no momento da redação final da EC nº 19/98, acabou sendo posto. Dessa forma, o que está em vigor hoje no Brasil, até o que o STF julgue o mérito da ADIN nº 2.135-4, é a redação original do art. 39 da Constituição Federal, ou seja, vige a obrigatoriedade do regime jurídico único e cada ente político pode optar pelo contratual (celetista) ou legal (estatutário). Na prática, a maior parte dos entes federativos (União, Estados, Distrito Federal e Municípios) optou pelo regime legal (estatutário), o que não impede que os entes políticos que já adotavam o regime contratual (trabalhista) continuem com o mesmo. O que não pode é ter, no mesmo âmbito de circunscrição, o regime trabalhista e o estatutário. Cabe explicar que o celetista é empregado público, enquanto o estatutário é servidor público (estrito senso). A este se aplica a estabilidade prevista no art. 41 da Constituição Federal. Àquele, segundo o Professor José dos Santos Carvalho Filho (2010, p.), possui estabilidade relativa. As consequências da estabilidade é que o servidor público (estatutário) só perderá o cargo nos casos previstos no art. 41 (sentença transitada em julgado, procedimento administrativo em contraditório, avaliação periódica de desempenho, etc.). A estabilidade relativa do empregado público a que se refere o Professor José dos Santos Carvalho significa que a dispensa do mesmo não poderá ser imotivada. A motivação serve ao atendimento dos princípios norteadores da Administração Pública, dentre os quais o princípio da publicidade, bem como ao controle de legalidade, dado que atos ilegais poderão ser anulados pela própria Administração Pública (autotutela) ou pelo Poder Judiciário (legalidade). Reforçando a ideia da estabilidade relativa, importante observar o que prevê a Súmula nº 390 do TST: Súmula nº 390 do TST ESTABILIDADE. ART. 41 DA CF/1988. CELETISTA. ADMINISTRAÇÃO DIRETA, AUTÁRQUICA OU FUNDACIONAL. APLICABILIDADE. EMPREGADO DE EMPRESA PÚBLICA E SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA. INAPLICÁVEL (conversão das Orientações Jurisprudenciais nºs 229 e 265 da SBDI-1 e da Orientação Jurisprudencial nº 22 da SBDI-2) - Res. 129/2005, DJ 20, 22 e 25.04.2005 I - O servidor público celetista da administração direta, autárquica ou fundacional é beneficiário da estabilidade prevista no art. 41 da CF/1988. (ex-OJs nºs 265 da SBDI-1 - inserida em 27.09.2002 - e 22 da SBDI-2 - inserida em 20.09.2000) II - Ao empregado de empresa pública ou de sociedade de economia mista, ainda que admitido mediante aprovação em concurso público, não é garantida a estabilidade prevista no art. 41 da CF/1988. (ex-OJ nº 229 da SBDI-1 - inserida em 20.06.2001). (grifos nossos). Como se observa no inciso I do entendimento sumular supracitado, a estabilidade do art. 41 da Constituição Federal se aplica aos empregados públicos (celetistas). Assim sendo, este só será dispensado nos casos previstos nos termos do art. 41 da Constituição Federal. Conclusão, regime estatutário ou no celetista, é questão de opção da pessoa política (União, Estados, Distrito Federal e Municípios). A preferência brasileira pelo regime legal (estatutário) se dá ante a desoneração do ente federativo com relação a algumas obrigações (ex. pagamento de valores relativos ao FGTS). Já no que se refere à estabilidade, num ou noutro regime, estatutário ou celetista, o ato de dispensa do servidor será sempre motivado, para controle de legalidade do ato.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

A COPA DO MUNDO PODE SER A TUMBA DA REELEIÇÃO DE DILMA


Vejo os acontecimentos e percebo que nossa Presidenta está em uma situação de bastante fragilidade se considerarmos que este é ano de eleições. Ela, como é sabido, é candidata à reeleição. Dentre os eventos que conspiram contra Dilma, segue alguns: o alto custo da Copa, os atrasos na conclusão das obras, obras que estarão inacabadas quando do Mundial, às regras da FIFA na instituição de um "Estado de Exceção" (Estado FIFA,)o caos do transporte público, as crises de abastecimento de água em diversos rincões do País, crise no sistema penitenciário (lembremos do caso de Pedrinhas no Maranhão), inflação mascarada, violência em todos os cantos, o povo na rua (marginais em seu meio), escândalos de corrupção, lideranças do PT na cadeia, esfacelamento do poder ante a jogatina do poder, etc. As eleições ocorrerão em outubro, antes disso, o evento Copa do Mundo. Pregam que "o Brasil é o país do futebol", "somos todos um só", e... e se o Brasil perder a Copa? Acredito que o mesmo povo que enche as urnas do PT, grande parte são os que recebem os "benefícios sociais" do Governo Federal (Bolsa Escola, Seguro Safra, etc.), é o mesmo que será manobrado pela oposição da atual Presidenta no momento oportuno das eleições. Então, se cuida Dilma! Cuidado com as ventanias que sopram contra o seu governo! Talvez seja tarde para mudar, mas mudar é preciso! Que ao final o povo seja soberano!

terça-feira, 30 de abril de 2013

O DIA DE PE. MORORÓ EM GROAÍRAS


O Pe. Gonçalo Inácio de Loiola Albuquerque Melo, o Pe. Mororó, nasceu em 24 de julho de 1778, em Sobral, onde moravam seus pais, o alferes Félix José de Souza, "natural do Rio Grande, e Dona Theodózia Maria de Jesus, natural da Freguesia de Nossa Senhora da Cnoceição de sobral". (MONTENEGRO, 2004, p. 7). A obra de João Brígido (1969, p. 367-368, apud MONTENEGRO, 2004,P.7) traz que o ilustre sacerdote: "Pertencia, pois, a uma das famílias de distinção daqueles tempos. Seu bisavô tinha sido um patriarca naqueles sertões então quase desertos. Lourenço Guimarães foi seu trisavô. Pelo lado de seu pai, entroncava na família Almeida Prado, da qual brotou o imortal Padre Miguel Joaquim de Almeida e Castro, juridicamente assassinado na Bahia pelo Conde D´Arcos, e além de outros barões dos tempos modernos, o Senador Tomás Pompeu, nome perpetuado na história do Ceará." (grifo nosso) A referência a obra de Montenegro quanto a decendência de Mororó é um artifício para demonstrar a importância do personagem para a história do Ceará, merecendo atenção de grandes escritores e estudiosos da história de nosso Estado. Infelizmente o mesmo interesse não existe em Groaíras. O desinteresse é geral e me incluo entre os culpados pelo mesmo. Minha preocupação surgiu quando da gravação do Programa Riquezas do Ceará, da TV CIDADE. Na ocasião fui escalado para falar sobre a história da cidade e Mororó foi alvo de nossas conversas (eu e a reporter). Daquel dia em diante eu passei a refletir sobre o personagem e sua história em Groaíras. Mesmo ele não tendo autuação política ou religiosa aqui, foi no Riacho do Guimarães (Groaíras), nome em referência ao seu trisavô, Lourenço Guimarães de Azevedo, um dos primeiros habitantes dessas paradas, o seu local de nascimento e onde passou os primeiros anos de sua vida. Desenvolveu seus estudos na Caiçara (Sobral), especialmente na cadeira de latim e, posteriormente, foi um dos alunos fundadores do Seminário de Olinda. Minha reflexão passou a incomodar-me, pois não podemos relegar o berço e a importância desse personagem na formação da identidade do groairense, afinal de contas, é impossível nascer nessa cidade sem ao menos ter ouvido falar de Mororó, seja o nome que batiza a rua ou seja o feriado do dia 30 de abril, quando todas as repartições públicas estão fechadas. Monsenhor Cleano, professor-cidadão, filho de Ipueiras e um dos pais de Groaíras, pois atuou ativamente no processo de emancipação e instalação do Município de Groaíras em 1957, foi um grande incentivador do resgate e respeito da memória de Mororó, inclusive na denominação do Colégio da CENEC. Quem não lembra do Colégio Pe. Mororó que funcionou por diversos anos até a década de 90 no salão Paroquial? Pois é, aquele foi um espaço por excelência de formação do cidadão groairense na forma forma de vestir, comportar-se, comunicar-se, etc. O "cidadão groairense" foi "moldado" embebido nas idéias incutidas naquele colégio sob a direção do saudoso Monsenhor Cleano Tavares Moereira. Mororó fazia parte do "cardápio". O resgate de sua história foi tão importante que até hoje ele, mesmo em silêncio e em nosso silêncio e processo acelerado de desmemorização, continua encravado documentando a cidade, seja na data ofical municipal, seja no nome dos logradouros, etc. Lamentavelmente estamos curtindo só mais um feriado, ausência de trabalho e lógica de comemoração. Se não há o que comemorar, qual o motivo do feriado? Nessa perspectiva seria este um prejuízo para a cidade ante o fato das repartições públicas estarem fechadas, inclusive as escolas. Quando em vida o Monsenhor Cleano elaborava toda uma programação envolvendo os alunos do colégio, a Igreja e os Poderes Públicos. Infelizmente o Monsenhor em 1999 e, junto com ele, foram enterrados os elementos lógicos da formação da identidade groairense. Foram por que nós não estamos preocupados com esse resgate. Se não fizermos isso, resgatar a história local, a diversidade de formas de contar essa história, perdereemos os marcos de nossa formação na velocidade do tempo. Este é implacável e nos leva os velhos, suas histórias e memórias, enquanto nós ficamos aqui "curtindo" o feriado que, não sei por qual motivo, é "comemorado" no dia 30 de abril. Ele nasceu em julho, como citado acima, e foi arcabuzado na Praça dos Mártires, em Fortaleza, em 25 de abril de 1825. Não se trata de resgatar a imagem do "herói da Confederação do Equador", o fundador do jornalismo cearense, mas resgatarmos os pilares de construção da identidade groairense, do nascimento da cidade. REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA MONTENEGRO, João Alfredo de Sousa. PADRE MORORÓ - A REVOLUÇÃO DA IMPRENSA. Fortaleza: Museu do Ceará/Secretaria de Cultura do Estado do Ceará, 2004.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

DO RIACHO A GROAÍRAS AINDA HÁ MUITO O QUE SE CONTAR!

Recentemente participei de um programa de TV, Riquezas do Ceará, que foi exibido pela TV Cidade, afiliada da TV RECORD em nosso Estado. Naquela oportunidade falei um pouco sobre a história local e o que me restou foi uma série de indagações, perturbações quanto ao estudo da história de Groaíras que, não tenho dúvida, precisa ser revisitada, esmiuçada dado a uma série de fatos bem interessantes. Dentre fatos que precisam ser estudados há muitos ligados ao prédio da Igreja de Nossa Senhora do Rosário e a própria história da Igreja Católica em nossa cidade. Percebam que a forma de ocupação de nosso território se deu com a "chegada dos portugueses" (Lourenço Guimarães) e a construção da Capela em homenagem a Nossa Senhora do Rosário. A história se repete, se considerarmos a chegada de Cabral e a celelbração da primeira missa em solo brasileiro. Isso porque as primeiras leis vigentes em território brasileiro foram as leis da Igreja. Estas diziam que as terras desconhecidas eram profanas e o processo de tomada de posse das mesmas se dava com a afixação da cruz no solo ou construção da Capela. Aí tá o fundamento da minha colocação: a história de nossa cidade está intimamente ligada à história da Igreja Católica e, sabe-se, a Capela do Riacho do Guimarães serviu muitas vezes ao Curato do Acaraú, inclusive foi sua cede em determinado momento histórico. Partindo dessa premissa, muitas perguntas carecem de respostas concretas para que possamos entender a riqueza cultural de nossa cidade. Vejamos: sabe-se que muitas pessoas foram enterradas nos entornos da Capela do Riacho do Guimarães (Groaíras). Recentemente vi no face, espaço de uma infinidade de publicações sem muito crédito, uma criança groairense frequentadora assídua da igreja Católica, publicou imagens de ossos humanos. Indaguei o mesmo sobre o local onde foram encontrados e ele falou que foram nas escavações para a construção de uma quadra nos fundos do atual prédio da igreja. Estranhamente ele removeu a foto e veio me pedir para não tocar no assunto. Achei estranho, mas deduzi sobre a possibilidade de alguma orientação no sentido de evitar fazer daquela obra local de estudos arqueológicos. Optei por respeitar o pedido do pequeno amigo, todavia a curiosidade me consumia. Recentemte, na inaguração de um restaurante nas proximidades da Igreja Católica, a cerca de 100 (cem) metros do prédio, siatuado na Rua Pe. Mororó, nº 100, em bate-papo com o mestre construtor do restaurante acabei mais uma vez por me surpreender com a informação que recebi. O mestre de obras disse ter encontrado um túmulo nos fundos do prédio e, por respeito e a pedido do Pe. Tomé, pároco de Groaíras na ocasião, o deixou intacto. Falou-me ainda que o pai dele, também mestre de obras, já não mais em atividade, trabalhou em obra na igreja quando do paroquiato do Monsenhor Raimundo Cleano. Em uma escavação encontrou restos mortais com uma bala encravada na costela, na altura do coração. O padre então aconselhou fechar imediatamente a sepultura. E aí, onde estão os registros desses enterros? Eles existem, podem ter certeza, e, é muito provável, estão nos arquivos de nossa Diocese e do Museu Dom José. Acreditem, se passarmos a nos preocupar com nossa história, Groaíras virará um sítio arqueológico cujas investigações podem trazer dados importantíssimos à explicação da ocupação deste pedaço do interior cearense ao mesmo tempo em que lágrimas rolarão por não darmos o devido cuidado ao nosso patrimônio histórico. Explico o fato pelas diversas reformas que o prédio da Igreja Católica sofreu. Na maior intervenção, no período do paroquiato do Pe. Tomé, duas colunas que ornavam o altar foram removidas. Numa delas foram encontrados castiçais de madeira que são uma pista da presença de judeus em nosso território. Onde eles estão? Isso é assunto para muitas outras conversas.